A busca do Tottenham por Ivan Toney esbarra em barreira salarial: por que os £428 mil por semana criam um dilema nas ambições de Thomas Frank para janeiro

As ambições do Tottenham Hotspur de reforçar seu setor ofensivo em janeiro enfrentam um obstáculo financeiro significativo, com o salário impressionante de Ivan Toney na Arábia Saudita ameaçando frustrar qualquer possível reencontro entre o atacante e o técnico Thomas Frank.

O atacante inglês de 29 anos, que prosperou sob o comando de Frank no Brentford antes de se transferir de forma lucrativa para o Al-Ahli em 2024, recebe cerca de £428.592 por semana no Oriente Médio — mais do que o dobro do salário dos jogadores mais bem pagos do Tottenham atualmente.

Essa disparidade salarial tornou-se o principal obstáculo em uma narrativa de transferência que, de outra forma, parecia direta, forçando o clube do norte de Londres a recalibrar sua estratégia de janeiro e explorar opções alternativas para o ataque.


A escassez de atacantes que motivou a busca

O setor ofensivo do Tottenham iniciou a temporada 2025–26 com otimismo cauteloso após a chegada, por empréstimo, de Randal Kolo Muani vindo do Paris Saint-Germain.

O atacante francês foi contratado para competir e oferecer cobertura a Dominic Solanke, que se juntou ao clube vindo do Bournemouth em uma negociação recorde, e também para oferecer uma dimensão diferente às contribuições cada vez mais inconsistentes de Richarlison.

No entanto, os planos cuidadosamente traçados desmoronaram rapidamente. Kolo Muani foi atormentado por problemas físicos persistentes desde sua chegada, sem conseguir iniciar uma única partida, apesar da expectativa de estreia no duelo da Premier League contra o Everton no Hill Dickinson Stadium. Suas lesões deixaram Thomas Frank sem opções confiáveis em um momento crítico da temporada.

A situação de Solanke agrava o problema. O atacante de 27 anos passou por uma cirurgia no tornozelo e enfrenta um longo período afastado, tirando do Tottenham sua principal ameaça de gol durante uma sequência congestionada de jogos que exige profundidade de elenco.

Richarlison segue disponível, mas marcou apenas um gol em suas últimas 11 partidas — um desempenho muito abaixo do necessário para um atacante de um clube que almeja o top 4.

Relatórios internos indicam que Frank tem ficado cada vez mais frustrado com o desempenho de um dos atacantes, embora o clube tenha evitado revelar publicamente o jogador em questão.

Essa combinação de fatores obrigou o departamento de recrutamento do Tottenham a acelerar a busca por reforços em janeiro, com Ivan Toney surgindo como o principal alvo, dada sua comprovada experiência na Premier League e a relação pré-existente com o treinador.


O elo com o Brentford: por que Frank e Toney fazem sentido tático

A relação profissional entre Thomas Frank e Ivan Toney é uma das histórias de sucesso recentes da Premier League. Durante quatro temporadas juntos no Brentford, a parceria floresceu de maneira impressionante.

Toney marcou 72 gols em 141 partidas pelos Bees, consolidando-se como um dos atacantes mais temidos da liga graças à combinação de força física, técnica refinada e uma notável capacidade de decidir jogos importantes.

Frank construiu boa parte de sua abordagem tática em torno da maximização das qualidades de Toney: domínio aéreo em cruzamentos e bolas paradas, habilidade para segurar a bola de costas para o gol e frieza em situações de um contra um.

Além dos números, a dupla desenvolveu uma compreensão intuitiva de como explorar as fraquezas dos adversários.

O sistema de Frank no Brentford frequentemente envolvia transições rápidas e jogo direto, com Toney atuando como o ponto focal tanto na construção quanto na finalização. Sua eficiência em cobranças de pênalti — raramente desperdiçadas — adicionava outra dimensão, garantindo gols decisivos em partidas equilibradas.

Essa familiaridade é exatamente o que torna Toney tão atraente para Frank agora no Tottenham. Integrar um novo atacante no meio da temporada é sempre arriscado; o processo de assimilação tática e de entrosamento pode levar meses.

Com Toney, Frank estaria essencialmente trazendo um jogador já “pré-programado” para executar seu estilo de jogo preferido, reduzindo drasticamente o tempo de adaptação.

Um atacante de perfil clássico

Taticamente, Toney oferece uma versatilidade que as atuais opções do Tottenham não possuem.

Diferente do móvel Kolo Muani ou do inconsistente Richarlison, Toney representa o camisa 9 clássico: forte no jogo aéreo, capaz de ocupar dois zagueiros simultaneamente e inteligente nos movimentos sem bola, abrindo espaço para meias e pontas.

No sistema de Frank — que enfatiza pressão alta, transições rápidas e amplitude — um atacante capaz de segurar defensores e envolver companheiros é inestimável.

A química já existe; a dúvida é se a matemática financeira pode ser ajustada.


A realidade salarial na Arábia Saudita: o obstáculo dos £428 mil semanais

A ida de Ivan Toney ao Al-Ahli no verão de 2024 marcou uma virada em sua carreira e em seu poder aquisitivo.

O clube saudita lhe ofereceu um contrato de aproximadamente £428.592 por semana, equivalente a cerca de £22,3 milhões por ano antes dos impostos.

Para contextualizar, a estrutura salarial atual do Tottenham coloca Xavi Simons e Cristian Romero como os mais bem pagos, com cerca de £195 mil por semana.

Ou seja, o salário de Toney é 2,2 vezes maior do que o dos principais nomes dos Spurs — um problema óbvio para qualquer tentativa de transferência.

Os clubes sauditas posicionaram-se como destinos de estrelas dispostas a trocar o prestígio do futebol europeu por segurança financeira.

Para Toney, que chegou ao Al-Ahli aos 28 anos com poucas convocações pela seleção inglesa, a chance de garantir riqueza geracional era irresistível.

Desde então, ele justificou o investimento com 39 gols em 57 partidas, tornando-se um dos atacantes mais prolíficos da liga saudita.

A rigidez financeira dos Spurs

Para o Tottenham, igualar — ou sequer se aproximar — desses salários significaria romper com sua política financeira.

O clube opera com disciplina salarial rígida, premiando desempenho e antiguidade.

Desfazer essa estrutura por um atacante de 29 anos — por melhor que seja — criaria um precedente perigoso, incentivando outros jogadores a exigirem aumentos e complicando futuras negociações.

Daniel Levy, o presidente conhecido por seu rigor orçamentário, construiu sua reputação em cima da prudência financeira e dificilmente aceitaria inflacionar a folha salarial a ponto de afetar o equilíbrio do elenco.


O impasse contratual: o Al-Ahli tem todas as cartas

Além do salário, há outro obstáculo: o contrato de Toney com o Al-Ahli vai até 2028, o que dá ao clube saudita zero incentivo para vendê-lo por preço reduzido.

Diferentemente de jogadores em fim de contrato, Toney é um ativo valioso com mais de dois anos e meio de vínculo garantido.

O Al-Ahli não enfrenta pressão financeira para vender — e como busca competir por títulos domésticos, considera Toney essencial para seus objetivos.

Relatos indicam que o clube pediria entre £35 e £40 milhões para liberar o atacante — valor razoável no mercado atual, mas que se torna menos atrativo quando somado ao problema salarial.

Além disso, abandonar um contrato que garante £22,3 milhões por ano até 2028 — um total de cerca de £55,75 milhões — exigiria que Toney ponderasse entre ambição esportiva e segurança financeira.

É um dilema moderno, sem resposta simples.


O fator Inglaterra: ambição de Copa do Mundo vs. segurança financeira

Um elemento que pode influenciar Toney é sua carreira internacional.

O atacante conquistou quatro convocações pela Inglaterra durante seu período no Brentford, mostrando que podia competir no mais alto nível.

Mas sua transferência para a Arábia praticamente encerrou sua participação na seleção.

O sucessor de Gareth Southgate deixou claro que jogadores fora das principais ligas europeias terão dificuldade de serem chamados.

Com a Copa do Mundo de 2026 se aproximando, Toney enfrenta uma escolha dura: permanecer na Arábia e aceitar o fim da carreira internacional, ou retornar à Premier League para reacender suas chances.

Aos 29 anos, ainda há tempo.

O grupo de atacantes da Inglaterra é talentoso, mas não tão profundo a ponto de ignorar alguém que marque 20 gols na Premier League.

Harry Kane segue titular absoluto, mas um bom desempenho sob o comando de Frank no Tottenham poderia recolocar Toney no radar da seleção.

Há também a questão do legado: muitos jogadores de sua geração sonham em deixar marca na Premier League, não em ligas periféricas.

Uma passagem de sucesso pelo Tottenham — com títulos ou vaga na Champions — poderia consolidar seu nome de forma que gols na Arábia jamais fariam.


A alternativa do empréstimo: uma solução temporária viável?

Uma possível solução seria um empréstimo de curto prazo.

Nesse cenário, o Al-Ahli manteria o contrato e continuaria pagando parte do salário, enquanto o Tottenham arcaria com uma fração e pagaria uma taxa de empréstimo.

Isso permitiria ao clube londrino contratar um atacante comprovado sem quebrar sua estrutura salarial.

Para Toney, o empréstimo seria ideal: ele manteria seu contrato milionário, ganharia visibilidade na Premier League e reavivaria suas chances de Copa.

Mas acordos desse tipo são complexos de estruturar, especialmente quando envolvem valores tão altos e cláusulas de performance.

Além disso, Frank pode preferir uma contratação permanente — que oferece estabilidade e planejamento.

Ainda assim, diante das limitações financeiras, o empréstimo pode ser o caminho mais realista.
 Ivan Toney of Al-Ahlie pictured on April 5, 2025


Alternativa 1: Dusan Vlahovic e a situação contratual na Juventus

Reconhecendo as dificuldades do negócio com Toney, o Tottenham identificou Dusan Vlahovic como uma alternativa mais viável.

O atacante sérvio de 25 anos está no último ano de contrato com a Juventus e pode assinar pré-contrato a partir de 1º de janeiro, juntando-se aos Spurs de graça no verão europeu.

Vlahovic oferece perfil diferente, mas igualmente atraente: 1,91 m, técnica refinada e faro de gol.

Desde 2022, marcou 58 gols em 129 partidas pela Juventus.

Seu jogo aéreo e presença física se encaixariam perfeitamente no sistema de Frank.

E, aos 25 anos, ainda tem vários anos de auge pela frente.

A parte financeira é especialmente interessante: um pré-contrato gratuito reduziria o impacto no Fair Play Financeiro.

A Juventus, por sua vez, poderia aceitar uma venda por £30-35 milhões em janeiro para evitar perdê-lo de graça — cifra razoável para reforçar imediatamente o elenco.


Alternativa 2: o alvo da Primeira Liga portuguesa

Além de Vlahovic, o diretor esportivo Fabio Paratici teria mirado um atacante em destaque na Primeira Liga portuguesa.

O nome não foi revelado, mas especula-se que seja um jovem entre 20 e 24 anos, com cláusula de €100 milhões (£87,4 milhões), embora disponível por valor menor devido à situação financeira do clube.

O interesse do Barcelona reforça o peso do jogador no mercado.

O futebol português tem tradição em revelar grandes atacantes — de Eusébio a Darwin Núñez — e costuma ser uma vitrine ideal para talentos técnicos.

Um jogador que brilhe ali geralmente tem o perfil certo para a Premier League.

A vantagem dessa opção está no valor a longo prazo: um atacante jovem pode ser um investimento para 10 anos, com potencial de revenda alto.

Se o Tottenham conseguir negociar por algo entre £60-70 milhões, pode ser o movimento mais estratégico de todos.


O fator Thomas Frank: como o técnico molda o recrutamento

A chegada de Thomas Frank ao Tottenham redefiniu o perfil de contratações do clube.

Conhecido pela capacidade de maximizar talentos subvalorizados, ele busca atacantes fortes, técnicos e intensos na pressão.

Toney se encaixa perfeitamente nesse molde, razão pela qual Frank estaria pressionando por sua chegada.

Contudo, o treinador é pragmático e também aprecia opções como Vlahovic e o jovem português.

Essa flexibilidade será essencial em uma janela de janeiro complexa.

Além disso, a reputação de Frank ajuda nas negociações: jogadores e agentes sabem que ele melhora carreiras.

Seu histórico no Brentford — revelando nomes como Toney, David Raya e Mbeumo — o torna um atrativo para atacantes ambiciosos.


A realidade da janela de janeiro: tempo, competição e complexidade

Mesmo que o Tottenham resolva os entraves financeiros, a janela de janeiro é notoriamente difícil.

Clubes relutam em vender titulares sem substitutos prontos, e negociações se tornam lentas e caras.

Cada semana sem reforços aumenta o risco de perder pontos preciosos na corrida por uma vaga na Champions League.

A competição por atacantes de qualidade é feroz — Manchester United, Arsenal e Bayern de Munique também buscam reforços.

Demoras podem custar caro aos Spurs.

Por isso, a decisão rápida será vital.

O desafio é que um atacante contratado em janeiro tem apenas quatro meses para causar impacto, tornando a adaptação imediata crucial — mais um ponto a favor de Toney, já familiar com o técnico.


O Fair Play Financeiro: gastar com responsabilidade

Qualquer negócio deve respeitar as regras de Fair Play Financeiro, cada vez mais rígidas.

Embora o Tottenham seja um dos clubes mais saudáveis financeiramente, uma contratação milionária em janeiro exige cuidado.

Com o novo sistema da UEFA que limita a proporção entre salários e receitas, salários altos — como os de Toney — podem pressionar o orçamento.

Por isso, opções como Vlahovic em pré-contrato ou um jovem com salário controlado são mais atraentes do ponto de vista regulatório.


O dilema Richarlison: complicação interna

A busca por um novo atacante é dificultada pela situação de Richarlison.

O brasileiro chegou com grandes expectativas, mas tem decepcionado.

Com apenas um gol em 11 partidas, o jogador de £150 mil semanais se tornou um peso financeiro.

Se ele saísse, abriria espaço no orçamento salarial — mas sua má fase torna difícil encontrar interessados.

Uma saída por empréstimo é mais provável que uma venda definitiva.

Diante disso, o Tottenham pode ter que contratar mesmo mantendo Richarlison, e resolver o impasse apenas no verão.


Conclusão: um cruzamento de caminhos sem respostas fáceis

A busca do Tottenham por um atacante resume a complexidade do futebol moderno.

O que parece simples — reunir Frank e Toney — se torna um labirinto de salários, contratos e regulamentações.

Os £428 mil por semana de Toney são um obstáculo imenso, e superá-lo exigiria:

  • um grande corte salarial do jogador (improvável);

  • subsídio do Al-Ahli (possível, mas difícil);

  • ou uma ruptura na política salarial dos Spurs (arriscada).

As alternativas — Vlahovic e o alvo português — têm prós e contras próprios.

Mas o consenso é que o Tottenham contratará um atacante em 2026.

Resta saber quem, quando e a que custo.

O próximo mês mostrará se Daniel Levy romperá sua tradição de cautela ou seguirá fiel à prudência financeira.


Ivan Toney